segunda-feira, 13 de abril de 2009

A ironia de um dilema carioca resolvido "na gringa" - Outback

Por causa de um velho mito, desejo, lembrança romantizada, minha mãe queixa-se: que saudade dos filés cariocas, o velho filé a cavalo, a parmeggiana, à francesa e tantos outros. Ela tinha ouvido falar do Filé do Juarez, que se auto-intitula o mais tradicional da cidade, mas passamos na porta e estava fechado. Pensamos em churrascarias, mas desistimos, devido a minha falta de disposição para me empanturrar e, mesmo, aos nossos limites financeiros. No Barbacoa, outro lugar que tem uma carne respeitável, era dia de feijoada. Resolvemos, então, tentar o Outback - rede de restaurantes no estilo Steackhouse (casa de carnes) vinda dos EUA, mas que todo mundo pensa que veio da Austrália, porque a intenção do lugar é imitar uma casa interiorana australiana dos anos 50, seja lá o que isso for!

Eu realmente não tinha expectativas. Odeio a Pizza Hut, o Burguer King é bom, mas é só uma rede de fast food. Chegamos lá, mesas cheias - bom sinal, diriam os connaisseurs. Vários ambientes que lembram um clima de Hard Rock Café, achei divertido, super americano. Nos acomodaram numa mesa ampla, de madeira, e pedimos direto no ponto: filés.

Minha escolha foi um Outback special, 225g, acompanhado de arroz com pimentão, cogumelo e castanhas. O tipo da carne é Sirloin, nome único dado pelos americanos ao filé mignon e ao contra-filé. Achei a carne saborosa, mas temperada demais, pimenta do reino, chilli e outros temperos que mascaram o gosto real do corte. Da próxima vez, peço sem, que nem minha mãe. Ela pediu um Chargrilled Ribeye, segundo eles, a parte mais nobre do rib (no caso deles, costela de boi), acompanhado de batatas cozidas e seladas no azeite, tudo sem pimenta ou tempero nenhum, além do sal. Ficou apenas o gostinho da carne sangrenta e suculenta - por ser mais gordurosa - e minha inveja, de ter escolhido um prato pior.

Mas isso de tempero, afinal, é questão de gosto, há quem goste de carne temperada. E a novidade gastronômica acrescenta cores na nosssa palheta, é ou não é?

Recomendo dar uma chegada lá, aproveitar que o refrigerante é refil e tomar vários copos (pobre viciada em refrigerantes diz) e, sem dúvida, experimentar os steaks, que ao meu ver, não fazem feio frente a uma carne do Barbacoa ou da Fogo de Chão, por exemplo. O filé individual custa, em média, de R$30 a R$40. Os drinks do cardápio parecem bem atrativos também, há opcões inventivas e fotos lindas. Também gostei do serviço, a garçonete que nos atendeu soube explicar os pratos e tirar nossas dúvidas.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Frase: até pq é época de páscoa.

"Quando pensei em virar vegetariana, uma das minhas maiores preocupações era: será que vou conseguir abrir mão de comer bacalhau?"
Letícia Bicicletinha, uma amiguinha minha.

Sonia Hirsch

Há muito tempo sou admiradora da Sonia Hirsch. Elá é jornalista e natureba e eu a conheci através da minha mãe e do meu pai, que tinham dois livros dela. Foi, em grande parte, por causa deles, que virei adepta da comida saudável no cotidiano, a comida que faz bem para a gente. Não me entendam mal, prazeres hedonistas e excessos fazem parte. Deus sabe quanto chocolate já comi na minha vida, mas cansei um pouco, sei lá porque. Hoje em dia só como chocolate muito gostoso.

Geralmente eu leio os livros dela quando estou num dos meus arroubos de ser uma pessoa melhor. Ela é meio pregadora, mas não é de assustar, prega o que acredita e não tem nada de mal para ninguém.

Eu não acredito em tudo que ela escreve, mas acho que muita coisa pode ajudar. Inhaminho, por exemplo, ela diz, é ótimo para tudo. Alimentos meio medicinais, quem curte?

Além do mais, tem uns argumentos muito bombásticos no site dela - num deles, ela conta que uma população inteira foi exterminada por malária depois que suas plantaçõs de cará (o outro nome do inhaminho), foram substituídas. Quase aquele programa "Além da Imaginação..."

Outra coisa que gosto dela é filosofia com comida, e as coisas com filosofia tem seu valor. Aprendi uma respiração, por exemplo, que controla ansiedade e dá sono. Muito útil! Conheçam a Sonia Hirsch através do site e peguem o que gostarem e o que puderem. Eu, pelo menos, fiz assim.
Aqui vai: http://www.correcotia.com/

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dicas de shopping: O cafezinho da Kopenhagen

Para quem passa pelo Shopping Barra e está afim de tomar um cafezinho expresso, uma boa é ir à lojinha da Kopenhagen. Em meio aos embrulhos de chocolates mais adoráveis da cidade, entre cenouras e coelhos em miniatura de chocolate ultra-delicados que nos trazem de volta a infância e a feliz época de páscoa, se enfie ali no balcão e peça o tradicional expresso. Além do café ser daqueles super fortes, estilo curto, vem acompanhado com rosquinhas, pastilhas de menta ou canudinhos daqueles que se bota no sorvete. Dois em um que custa 2,90 e mata duas vontades: doce e café, ambos de boa qualidade. Faltou só um copinho de água com gás para ficar craaaaaaaasse.

Confit

Segundo a Wikipedia, confit é um termo que serve para uma infinadade de alimentos que são conservados em algum tipo de substância. Quando o confit fica na geladeira, pode durar mais, vários meses até. Trata-se de uma maneira tradional de preservar a comida, oriunda da França, onde os confits de pato são bem populares. No caso das carnes, especificamente ganso, peru e porco, o corte é mantido na sua própria gordura. O outro confit popular é o de frutas. Nisso nós somos craques uai, é só olhar para as tradicionais compotas de doces mineiras. Num restaurante, porém, é mais provável que você se depare com confit de carne, a vantagem desse tipo de preparo, delicado por causa do controle cuidadoso de temperaturas, diga-se de passagem, é que a carne fica mais macia e o sabor tem mais tempo para se fixar.

domingo, 5 de abril de 2009

Breve comentário sobre o Sato - ainda na vibe dos japas

3 meninas saindo do show do Marcelo Camelo e sem querer ir para a balada. Um amigo de uma delas sugeriu como reflexão da noite, depois de ter desistido de ir para uma balada hype - estamos ficando velhos?

Tudo indica que sim, pois o programa que nos parecia mais atrativo era ir a algum lugar legal de comer. Nenhuma de nós conhecia o Sato, restaurante japonês que pertence a franquia do Pereira e que se localiza bem ao lado da sua matriz. Tudo indicava que seria uma experiência gastronômica interessante. Ah, as expectativas...

Já no primeiro prato, decepção imediata, uma dupla de sushi de atum, cujo peixe estava quase esbranquiçado e totalmente sem graça, por R$7. Pedi um temaki depois, de salmão, e as fatias de um dos peixes mais clássicos pareciam que tinham passado num moedor de carne. Não é por nada não, mas aqui na esquina eu como um temaki maior, por 11 reais, o de lá custava R$13, e com pedaços de salmão mastigáveis e não praticamente triturados. Por último, pedi uma robatta de beringela, foi a única coisa que me agradou. A beringela estava muito macia, como deve ser, e veio bastante. Quase impecável, por R$6.

Mas ei, se um restaurante japonês não consegue fazer um temaki e um par de sushi, ou seja, o básico, eu não tenho a mínima energia para comer outras coisas. Uma das meninas com quem estava achou ok, gostoso. A outra, concordou comigo, preço desonesto para uma casa medíocre. Um combinado de sushi e sashimi de 20 peças não saía por menos de R$35.

Grito de guerra: Paga um sushiman competente aí galera.

Não devo voltar, apesar do ambiente ser agradável, decoração elegante e serviço solícito, embora meio displicente, não plantei meu dinheiro no jardim.

domingo, 29 de março de 2009

Matsuri - o japonês perdido

Aos domingos, sempre almoço com o meu pai, que tem uma predileção pelo comer a la vonté. Por isso, vou muito a rodízios e buffets - dois tipos de serviço que exigem demais para alcançar um certo padrão de dignidade gastronômica. Comida em grande quantidade é sempre mais difícil de ser preparada, se for largada na mesa do cliente de 5 em 5 minutos então, tem que ter uma estrutura super organizada. Só para ilustrar, um bom exemplo é a churrascaria Fogo de Chão.

Pois bem, lá vou eu, com meu pai que está de dieta e meu irmão, devorador sem critério de japoneses desde a mais tenra idade, ao restaurante Matsuri, cuja proposta é servir um rodízio de comida fusion oriental. O resultado, digo logo, é lamentável.

Lá, comi o pior sonomono (salada de pepino japonês) da minha vida, que no final tinha gosto ácido, o pior Hot roll de todos os tempos, cuja crosta de fritura é absurdamente grossa. Também, as piores versões com sushi que já vi na vida, pelo simples fato de todas parecerem iguais e, pior do que isso, virem com uma pasta em cima que parece atum enlatado. Ao lado da "cof cof" invenção, ainda são salpicados pedacinhos de nachos.

Mas nem tudo está perdido, o Matsuri faz uma coisa que poucos restaurantes japoneses se permitem por causa do alto custo, coloca todo tipo de sashimi no rodízio. E, para fazer um sashimi legal, basta o peixe estar fresco e o sushiman ter alguma habilidade. Tanto é que você comprando um filé de peixe fresco consegue, sem nenhum curso de 3 meses, cortar fatias de peixe bastante boas. Este é, então, o primeiro preparo ok do lugar. Tem sashimi de robalo, atum, agulhão negro e salmão.

O segundo e último, são as robatas tradicionais: brócolis, acelga com bacon, picanha, salmão, banana, tudo isso na chapa. Mesmo assim, o amadorismo salta aos olhos. Duas beringelas vieram praticamente queimadas e, junto do prato, não foi servido aquele molho teryaki para acompanhar, como acontece na maioria dos restaurantes orientais.

Meu irmão ainda teve a cara dura de pedir uma sobremesa, um petit gateau rebuscado com calda de morango estilo kibon e castanhas por cima. Açucar puro e gosto de sorveteria barata. Dito isso, parece que falta alguém que entenda de comida à frente do Matsuri, casa que fica no bairro Costa Azul e cobra 40 reais (pessoa) de bandeirada no rodízio.